Guia · GMAD

Reforma
Tributária

Risco ou oportunidade?

GMADvai te ajudar a
transformar em oportunidade

A GMAD acredita que conhecimento é a melhor ferramenta para uma marcenaria forte. Este guia resume, em linguagem direta, o que muda para cada perfil de marceneiro — do informal ao Lucro Real — e o que fazer hoje para se preparar.

Marceneiro brasileiro sorrindo em sua oficina
Capítulo 01 · Introdução

Por que a reforma importa para o marceneiro?

A reforma do consumo troca cinco tributos (ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI) por dois: IBS e CBS. Para a marcenaria, o impacto vai muito além de mudar siglas no boleto.

Seu cliente vai olhar a nota fiscal.

Construtoras, lojas e empresas passam a comparar fornecedores pelo crédito que a nota gera.

Quem é organizado ganha competitividade.

CNPJ regular, sistema integrado e notas em dia viram diferencial — não mais detalhe burocrático.

Formalização e sistemas pesam mais.

Trabalhar sem CNPJ ou sem emitir nota fica ainda mais arriscado e menos lucrativo.

Capítulo 02

Mitos e verdades.

Antes de mudar qualquer coisa na sua marcenaria, separe o que é boato do que está, de fato, na lei.

Mito

“Vou pagar mais imposto em 2026.”

Verdade

2026 é ano de testes — os campos de IBS e CBS aparecem na nota, mas sem efeito financeiro.

Mito

“Preciso aumentar meus preços agora.”

Verdade

Não há motivo para reajustes apenas pela reforma. O que muda é a forma de orçar, não a carga em 2026.

Mito

“Quem é MEI vai acabar.”

Verdade

O MEI continua existindo, com a mesma guia única (DAS) e o mesmo teto de R$ 81 mil/ano. Está sendo votada no Congresso a possibilidade de aumentar o limite de faturamento do MEI.

Capítulo 03

Qual é o seu caso?

Encontre seu perfil e veja, em uma linha, o que muda e o próximo passo prático.

Perfil 01

Sem CNPJ (CPF)

Faturamento

Trabalho informal

O que muda

Bico esporádico não é afetado. Se trabalhar com frequência, a Receita pode cobrar imposto e multa.

O que fazer

Formalize-se. Virar MEI ou Nano sai muito mais barato e te tira do risco com o Fisco.

Perfil 02

Nanoempreendedor

Faturamento

Até ~R$ 30 mil/ano

O que muda

Nova categoria para quem trabalha por conta e fatura pouco: totalmente isento de IBS e CBS.

O que fazer

Vale conhecer para sair da informalidade de forma simples. Pergunte ao seu contador.

Perfil 03

MEI

Faturamento

Até R$ 81 mil/ano

O que muda

Nada muda no seu bolso. Você continua pagando a guia única mensal (DAS) com o mesmo valor fixo.

O que fazer

Mantenha as guias em dia e use um sistema de notas — mesmo gratuito — para não estourar o teto.

Perfil 04

Simples Nacional

Faturamento

Até R$ 4,8 milhões/ano

O que muda

Continua na guia única para CPF. Novidade: pode escolher pagar IBS/CBS "por fora" para dar crédito cheio a clientes empresa.

O que fazer

Vendendo para empresas? Peça ao contador o cálculo do Simples Híbrido e verifique se seu sistema emite nota com os campos de IBS/CBS.

Perfil 05

Lucro Presumido / Real

Faturamento

Acima do Simples

O que muda

Entra no sistema regular. Dá crédito cheio na venda e recupera imposto das compras (MDF, máquinas), mas exige controle rígido.

O que fazer

Aja agora: revise com o contador os cadastros (NCM), sistema de NF-e, ERP integrado e o impacto do split payment no caixa.

Capítulo 04

O que muda na prática?

Quatro frentes vão mexer com a rotina de qualquer marcenaria.

Nota fiscal

Novos campos obrigatórios de IBS, CBS e código de classificação tributária na NF-e e NFS-e.

Sistemas

ERP, emissor de notas e controle de estoque precisam estar integrados e atualizados.

Crédito

Imposto pago na nota vira “vale-desconto” na cadeia. Muda como você orça e compra.

Split payment

Em recebimentos por cartão, PIX, transferência ou boleto, o imposto pode ser retido no ato do pagamento, indo direto ao Fisco.

Capítulo 05

IBS, CBS e a regra de ouro do crédito.

A nota fiscal passa a gerar créditos que funcionam como um “desconto” no tributo — para quem compra e para quem vende.

IBS

Estados e Municípios

Imposto sobre Bens e Serviços

Substitui o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). Cobrado no destino, ou seja, no endereço de entrega ou de instalação do móvel.

CBS

União

Contribuição sobre Bens e Serviços

Substitui PIS, COFINS e IPI. Federal, não cumulativa e com crédito amplo na cadeia produtiva.

Imagine que o imposto pago na nota fiscal funciona como um vale-desconto. Quando você vende para uma empresa, ela quer usar a sua nota para abater o imposto dela. Se a sua nota não dá desconto, seu móvel fica caro. O mesmo vale para você quando compra de fornecedores.

Isso não significa que você vai pagar mais imposto em 2026. O que muda é a forma de orçar: o crédito passa a fazer parte do custo real de cada projeto e da sua competitividade.

Simples Tradicional

Sua nota gera pouco desconto para lojas e construtoras (alto risco de perder contratos grandes) e você não recupera o imposto das máquinas e chapas de MDF — viram custo puro.

Simples Híbrido · Lucro Real/Presumido

Seu cliente recebe desconto cheio (seu preço fica atraente para empresas) e você abate o imposto das suas compras, economizando para renovar a oficina.

Capítulo 06

A revolução é também tecnológica.

Tudo ficará rastreável pelo Fisco: CPF, CNPJ, pagamentos, notas e movimentações bancárias. Quem não estiver formalizado e com sistema em dia ficará exposto a autuação e fora da nova cadeia.

Rastreio por CPF/CNPJ

A Receita terá mais visibilidade sobre transações feitas em CPF e CNPJ. Quem trabalha informalmente e movimenta valores altos ou recorrentes fica mais exposto a autuação.

Nota fiscal eletrônica

NF-e e NFS-e terão campos novos para IBS, CBS e código de classificação tributária. Seu sistema precisa atualizar antes de 2027.

ERP ou sistema integrado

Vendas, estoque, compras e contabilidade precisam conversar. Planilha e nota avulsa não vão dar conta da complexidade.

Split payment

Em recebimentos por cartão, PIX, transferência ou boleto, o imposto pode ser separado no momento do pagamento. O marceneiro recebe líquido e o Fisco recebe direto.

Capítulo 07

Qual o cronograma?

2026Ano teste

Campos de IBS e CBS exibidos nos documentos fiscais (alíquotas de 0,1% e 0,9%). Sem efeito financeiro.

2027 – 2028CBS plena

CBS substitui PIS/COFINS. IBS continua com a alíquota de teste.

2029 – 2032Transição

Redução gradual de ICMS/ISS e elevação gradual do IBS.

2033Modelo pleno

Sistema novo em pleno funcionamento. ICMS e ISS extintos.

Para começar hoje

3 passos para
qualquer marceneiro.

01

Não aumente preço em 2026 por medo.

Nada muda no seu pagamento ainda — o ano é de teste, sem efeito financeiro.

02

Organize-se.

CNPJ, notas e guias em dia. Use um sistema de emissão de notas — ou ERP, se possível. O sistema novo premia quem é digital.

03

Converse com o contador.

Leve as perguntas-chave deste guia e peça uma simulação para o seu caso.

“A reforma, mais que novas siglas e alíquotas, é uma nova lógica de crédito, de fornecedor e de sistema.”

Capítulo 08 · Fale com o contador

Fale com o
seu contador!

A reforma é técnica e o seu caso é específico. Use este roteiro direto na próxima conversa.

O que perguntar

“Eu fico no Simples ou migro para o modelo híbrido, com créditos de IBS/CBS?”

Peça simulação considerando o perfil dos clientes. Se vende muito para empresas que aproveitam crédito, o regime regular pode ficar mais competitivo.

Prazo de adesão ao modelo híbrido: 30 de setembro de 2026.

“Como fica o crédito das compras de painéis, ferragens, cola, ferramentas e maquinário?”

No regime regular, praticamente tudo vira crédito — o impacto no custo do projeto pode ser grande.

“Meu sistema de emissão de nota já está pronto para os campos novos?”

NF-e e NFS-e mudaram. Cobre prazo do fornecedor do ERP/sistema para evitar surpresas.

“Como o split payment pode afetar meu fluxo de caixa?”

Se recebe por cartão, PIX, transferência ou boleto, o imposto pode ser retido na origem. Simule o caixa líquido e o prazo de recebimento.

“Atuo como CPF ou MEI com teto estourado — tenho risco de autuação retroativa?”

Peça um diagnóstico da situação atual e o caminho de regularização (MEI, Simples ou regular) antes de 2026, para reduzir exposição fiscal.

Quanto antes formalizar, menor o risco de multa e cobrança retroativa.

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